O Jornal Nacional segue veiculando uma série de entrevistas desde o dia 09/10 com os três canditados mais votados nas pesquisas presidenciais, iniciando com a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff.
Nas palavras do próprio âncora e editor-chefe William Bonner, o Jornal Nacional tem como objetivo mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo naquele dia, com isenção, pluralidade, clareza e correção (JN - Modo de Fazer, p17).
Nos aspectos técnicos a entrevista teve duração de 12 minutos, contando perguntas e respostas, com sete questionamentos feitos pelos âncoras (sem contar interrupções). Para um modelo de debate telejornalístico, as perguntas foram demoradas, consumindo o tempo de resposta de Dilma. Foram feitas duas perguntas sobre a candidatura, ressaltando a ligação com o atual Presidente e a falta de preparo eleitoral de Dilma, os comentários de Bonner ressaltavam (mais do que devia) essa questão. Os 3'30'' seguintes da entrevista foram dedicados para questionar o comportamento e temperamento da candidata. Utilizando uma suposta declaração feita por Lula, em que o presidente teria dito que Dilma maltratava os ministros, fica evidente uma tentiva de imprimir um rótulo de autoritarismo já que, mesmo depois de respondida, William e Fátima insistem na questão, surgindo aí um questionamento ético da atitude de Bonner por ter retrucado com ironia "o vídeo está disponível na internet" depois da negação de Dilma para a declaração. O fato é que até o momento o vídeo não foi localizado e as interrupções deixavam a entrevistada cada vez mais nervosa.
A pergunta seguinte, feita por Bonner, questionava sobre as atuais ligações do PT com partidos e políticos que, no passado, eram alvo de crítica dos petistas. Foi citado as alianças com o deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA, denunciado por desvio de verbas do Banpará, Sudam e integrante da CPI da grilagem), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL, acusado pelo uso de "laranjas" em esquema de compra de rádio, envolvimento no escândalo Schincariol e quebra de decoro parlamentar), José Sarney (PMDB-AP dentre os escândalos políticos, abuso de poder econômico e formação de quadrilha) e Fernando Collor (PTB-AL, ex-presidente deposto no processo de Impeachment, out 92).A pergunta em si ja apresentava a resposta, quando o âncora terminou com sua própria conclusão:
"Onde foi que o PT errou, ou melhor, quando foi que ele errou: ele errou quando fez aquelas críticas todas ou está errando agora, quando botou todo mundo debaixo do mesmo guarda-chuva?"O final da entrevista remete à discussão de temas eleitorias como Economia e Saneamento Básico. Ao afirmar o crescimento ecônomico do Brasil, Bonner pergunta porque esse índice é inferior ao de alguns países emergentes como Uruguai, Argentina, Bolívia e tambem aos países pertencentes ao BRIC. Mais uma vez em sua resposta Dilma, deixando-se mostrar não muito confiante em suas argumentações, é interpelada pelos comentários do apresentador. A última pergunta fica à cargo de Fátima que, apresentando dados oficiais fornecidos pelo IBGE, questiona sobre o fraco desenvolvimento do Brasil na área de saneamento.
Mesmo após a entrevista não é possível enxergar com clareza quais são as bases de sustentação e as reais propostas da candidata Dilma Roussef. Culpa da disputa pela fala ou pelo desprepraro de discurso de Dilma, o fato é que mais uma vez o eleitor não se sentiu convencido sobre o futuro do país. Resta agora ver se os demais candidatos serão tratados com isonomia, com interpelações, repetição de perguntas e discussões vazias.
A seguir, você confere a íntegra da entrevista: